quinta-feira, 26 de abril de 2012

Minhas Lembranças - Depoimento

Ler para mim sempre foi um desafio. Comecei imitando minhas irmãs lendo fotonovelas, lembram? Revelei minha idade né? Mas comecei assim, lendo escondida de minha avó e minha tia que achavam que era "perda de tempo" e eu precisa trabalhar. Na escola sempre estava procurando a biblioteca e adorava poder escolher um livro para ler. Mesmo muito ocupada achava um tempo para a leitura, meu prazer. Assim fui levando a leitura, estudei fiz faculdade de matemática mas sempre incentivei meus alunos para a leitura. Hoje tenho o prazer de ver meus filhos sendo bons leitores e espero passar isso para meus netos.

O DESPERTAR - Crônica



Tem certos dias que não é bom abrir os olhos.  Aconteceu com Carlos. Abriu os olhos, observou o relógio de cabeceira, ele marcava 08h30min e piscava ininterruptamente. Deu um pulo da cama e esbravejou:
_ Droga! Acabou a força no prédio de novo! Vou chegar atrasado mais uma vez, seu Joaquim me manda embora hoje. Eita português arretado!
Enquanto reclama, corre ao banheiro, escova os dentes, lava o rosto e em pensamento continua seu diálogo consigo mesmo:
_ Eu mereço um banho. O 2352 só vai passar às... mas que horas são? Corre até o quarto, encontra seu relógio de pulso:
_ DEZ E TRINTA, O PORTUGA INFARTOU!
Volta ao banheiro, tira a roupa, abre o chuveiro e se posta debaixo d’água.  A campainha toca, o toque se repete longamente. Sai apressado, enrola-se na toalha, o som persiste, para abruptamente, mas mesmo assim dirige-se a porta. Abre a porta e encontra um corpo caído a porta.
_ Diabos! Tem certos dias que não é bom abrir os olhos. Olha para o corredor, ninguém.  O elevador fechado, com suas portas seladas e nenhum barulho.  Debruça-se ao corpo.
_ Nada de respiração! Pulso? Nenhum.  Meu Deus! Que faço?
Fecha a porta, pega o telefone, sem linha.  Procura utilizar o interfone, toca, toca, ninguém atende.  Repete novamente:
_ Tem certos dias que não é bom acordar! Tenta o telefone novamente, nada. O interfone:
_Ô Moacir! Ninguém trabalha nesta portaria. Tem um presunto na minha porta.
_ Seu Carlos monta um lanche pra mim, então!
_ Deixa de besteira. É sério. Há um defunto na minha porta.
_ Quem matou? O senhor conhece a vítima?
_ Que isto, Moacir! Interrogatório? Chama a polícia para resolver o caso. Tô só de toalha, atrasado e quero que tirem o corpo da frente do meu apartamento.
_Seu Carlos! Quem diria...além de matar o novo caso amoroso, quer fugir da cena do crime. Coisa feia!
_ Deixa de besteira. Estava no banho, a campainha tocou, fui atender e ele estava lá. Morto, caído no chão, em frente a minha porta.
_ Diga isto para policia. Não sei de nada. Estava fechado o encanamento do 702. Dona Joana, do 602 estava soltando vento pelas ventas. O garanhão do seu Roberto deixou a banheira de hidromassagem ligada e foi para o escritório. Resultado, inundou todo o apartamento da Dona Joana que já...
_Ô Moacir deixa de conversa fiada. Liga para Policia, pois o telefone do apartamento não está funcionando.
Policia. Pericia. Atraso. Tem certos dias que não é bom acordar, mas em outros precisamos acordar, vencer os formalismos, os medos de se envolver, o medo de olhar ao redor. Medo que Carlos sempre possuiu, medo que o fez não reconhecer o vizinho do lado que faleceu de infarto à sua porta.  Neste dia Carlos perdeu o emprego de gerente da Revendedora de Autos do Joaquim, porém conheceu Letícia, a perita criminal que lhe acordou do pesadelo no qual vivia. O pesadelo de não se importar com os outros. Modificou seu ritmo de vida e nunca mais deixou de olhar para os vizinhos e dizer: Bom Dia!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Minhas saudosas lembranças de leitura... - Depoimento

A leitura sempre foi importante em minha vida. Desde muito pequena, tenho a lembrança de minha mãe lendo para mim, livros lindos e com conteúdos fortes, como O Pequeno Príncipe, O menino do dedo verde, Pollyana e Pollyana Moça, fora as leituras da Bíblia.
Quando eu aprendi a ler, foi minha vez de ler para ela. Lembro que a noite, ela sentava na cama para costurar e eu ficava lendo.
Foi uma época tão feliz que marcou demais a minha vida e infelizmente não voltará... As últimas leituras que fiz para minha mãe foram em Abril/2005, quando o Papa João Paulo II morreu e ela também estava nos seus últimos dias entre nós, vindo a falecer logo depois...
Não tenho como falar de leitura sem lembrar dela, que foi minha maior incentivadora e que sempre me apoiou.
Fiz faculdade de Letras e amo ler. Minha média anual de leitura gira em torno de 40 livros, sem contar as leituras pedagógicas que realizo no trabalho.
O meu maior desejo é inspirar os alunos para que tenham esse mesmo amor pela leitura.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Depoimento de Leitura e Escrita - de Kátia do Carmo


Ler foi uma experiência totalmente espontânea, não me lembro de ver minha mãe ou algum professor dizendo pra mim: " Você precisa ler menina!". Não lembro como foi parar na minha mão o primeiro livro que li, mas me lembro o prazer que foi ler " O cachorrinho Simba na floresta" imaginar as cenas, os acontecimentos, os personagens. Como o Pintor Newton Mesquita lhe toca passa a fazer parte de você.
Acabei me formando em Filosofia, um curso em que você entra na faculdade no primeiro dia sabendo que terá que ler vários livros e capítulos de livros e termina com a ideia: "Graças a Deus acabei a faculdade agora vai pra ler aquele que não terminei, aquele outro que não consegui, Vou ler de novo aquele que adorei..."
Compartilho com a filósofa Marilena Chauí a fantástica experiência de "suspender o tempo" e conviver como se fóssemos amigos próximos de grandes gênios pensadores da humanidade. Thomas hobbes (filósofo inglês do século XVII) por exemplo é um grande amigo...

terça-feira, 10 de abril de 2012

José - Depoimento

Muito antes de frequentar a escola no papel de aluno visitava a biblioteca da escola, ou por estar de castigo ou por não ter ninguém que cuidasse de mim naquele momento. Gostava de manusear os livros, ver desenhos e imagens. Vasculhava estes livros com cuidado e retornava-os nos mesmos lugares, afinal filho de funcionários deveria dar o exemplo naquele local disciplinador.
No primeiro ano escolar ganhei uma coleção de contos de Anderson. Queria ler com autonomia, não em reclusão na Biblioteca da Escola José Firpo folheando livros que somente continha figuras, desenhos e fotos. A coleção neste momento era superior, transportava comigo para todos os lugares, aos poucos consegui ler, aos pedaços, com erros, mas deixaram de ser só figuras, falavam do mundo, ou melhor de “mundos”, vários, imaginários, fantásticos, ao longo do letramento outros mundos se configuram-se: reais, cerebrais, virtuais,  tenebrosos, inclassificáveis...